Saúde de Rio Grande da Serra, doente?

Erros de diagnósticos, de receitas e de procedimentos arriscam a vida de pacientes.

Há tempos que o sistema de saúde de Rio Grande da Serra vem apresentando problemas.

São dezenas de reclamações, por parte dos usuários, que chegam ao Tribuna da Serra e por essa razão fomos conferir.

Uma das reclamações, segundo alguns usuários, ficam por conta do atendimento, novamente apontado como ruim. Para alguns pacientes, os médicos não dão a atenção necessária: “Eles não têm paciência para ouvir a gente. Mal examinam e vão passando remédio sem pedir exame para ter certeza. Querem economizar dinheiro da Prefeitura?”, reclama a moradora, atendida na UBS Central da cidade.

Outro problema apontado pelos pacientes é a capacidade técnica dos médicos que têm errado diagnósticos e até recei-tas.

Um caso de diagnóstico errado, que pode ser considerado um grave erro, é o caso de uma paciente, com crise de apendicite, no qual o médico, Dr. Wilson Pessoa, segundo a paciente, diagnosticou como virose, indicando à ela remédios inade-quados e apenas um soro. “Ele nem se dispôs a me examinar, apenas disse que era virose, preencheu o papel para que eu tomasse soro e passou uma receita. Horas depois eu estava dando entrada no Nardini, porque eu mesma decidi ir ao hospital São Lucas, que diagnosticou a gravidade do problema e me encaminhou para cirurgia em Mauá. E se eu fosse para casa repousar, como queria esse médico? Eu estaria morta hoje.”, conta indignada Aline, moradora da Pedreira.

ABAIXO, IMAGENS DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM A FALHA:

Acima, a receita indicando remédio ginecológico para um caso de apendicite aguda. E o comprovante de comparecimento de Aline, na UBS Central de Rio Grande da Serra. DESTAQUE: O carimbo do Dr. Wilson Pessoa,

Comprovando o caso, vimos os documentos que demonstram claramente que, Aline deu entrada na UBS de Rio Grande da Serra dia 29 de dezembro as 11:30 e saiu com uma receita de remédio ginecológico.

Porém, no relatório de alta, do Hospital Nardini, do dia 30 de dezembro, está bem claro o diagnóstico de apendicite aguda.

Acima, comprovante de alta da paciente, do Hospital de Mauá, onde foi submetida à cirurgia com diagnóstico de apendicite aguda. O erro de diagnostico em Rio Grande colocou a paciente em risco de morte.

E abaixo, a comprovação de erros de Posologia, nas receitas médicas:
 

Outro problema apontado, pelos próprios profissionais de saúde, é a insalubridade, o risco de adquirirem doenças, devido as condições ruins de trabalho. Apontam como exemplo a UBS do bairro Santa Tereza, onde de terça feira atendem pacientes, com suspeitas e também portadores de tuberculose em ambiente comum aos outros pacientes. “Os pacientes chegam, e aguardam na mesma sala dos pacientes comuns, juntos com crianças e idosos, e todos sabem, a tuberculose é altamente contagiante.”, explica um funcionário, “não tem sequer máscaras para o paciente usar. O correto seria ter uma área isolada para casos de doenças desse tipo. Estão todos expostos à doença, até porque a sala que atende pacientes com tuberculose é a mesma que vai receber a criança, os idosos e demais pacientes.”, afirma o funcionário.

Na cartilha de Bios-segurança em Tuberculose, que o jornal teve acesso diz que em locais para atendimento ambulatorial, caso dos Postos de Saúde, deve-se evitar o acúmulo de pessoas na sala de espera e mesmo ambiente com pacientes imunodeprimidos e crianças. Ou seja, deve-se evitar que pacientes com Tuberculose dividam o mesmo ambiente com pacientes comuns.

VEJA O QUADRO ABAIXO:

Juntando à lista de reclamações, ainda temos: falta de higiene dos Postos de Saúde, falta de remédios, falta de médicos, inexperiência de funcionários da Saúde, Falta de materiais para atendimento dentro dos Postos, erros de diagnós-ticos, lentidão na central de vagas, lentidão para resultado de exames médicos, entre outros problemas apontados.

Em Nota Oficial, a Prefeitura de Rio Grande, através da Secretaria de Comunicação respondeu:

” Com relação ao atendimento médico temos a informar que estamos em processo de transição, sendo que A FUABC assumiu a prestação de serviços médicos neste primeiro trimestre de 2011, e neste momento está em fase de avaliação dos profissionais médicos, para posteriormente definir o quadro de profissionais, que seja compatível a atender as necessidades dos munícipes de Rio Grande da Serra, sendo que após a avaliação será concluído o processo de transição e somente continuarão a prestar serviços a esta secretaria os médicos que atendam as nossas exigências.
No que diz respeito ao atendimento dos pacientes que realizam tratamento a tuberculose, temos a informar que os pacientes são atendidos por especialista devidamente qualificada na Unidade de Saúde Santa Tereza. Os atendimentos são realizados com horário agendado anteriormente. Informamos que seguimos os princípios do SUS universalidade, integralidade, igualdade de assistência, equidade, desta forma, nenhum paciente deve ser discriminado por possuir qualquer patologia, o que se faz é tomar os devidos cuidados ao atendimento destes pacientes. A Unidade está devidamente capacidade para dar atenção aos pacientes portadores de Tuberculose, sabendo como agir em cada caso. Informamos ainda que este atendimento foi motivo de premiação, a SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE recebeu o Prêmio de Qualidade no Atendimento À Tuberculose, o município foi premiado por atingir a meta de taxa de cura superior a 85%, e aumentar o número de casos diagnosticados ao longo do ano de 2009. Esta é uma premiação importante para o município e demonstra que estamos no caminho certo.
A FuABC não realizou quaisquer vistoria em nenhuma das Unidades de Saúde, por este serviço não fazer parte dos serviços contratados.
Com relação a demora mencionada dos resultados de exames laboratoriais, está em fase de transição para que novo laboratório assuma o serviço de análise, visando maior agilidade na entrega dos resultados, uma vez que contávamos com os serviços de laboratórios mantidos pela Secretaria Estadual de Saúde, assim neste primeiro trimestre será sanado.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência é um serviço regional administrado pela Secretaria Municipal de Saúde de Mauá, e mantido pelo Ministério da Saúde conforme projeto aprovado regionalmente. “

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: