¨Tsunami¨ derruba proposta de Aidan, em Santo André.

95,7% dizem não à plano de carreira proposto pelo Prefeito.

Até base do governo ficou a favor dos servidores.

Após vários protestos dos servidores, em Santo André, tendo como porta-voz o SINDISERV que, em clima tenso, discutiu com a Prefeitura, indicando a insatisfação dos servidores municipais com as propostas de Aidan Ravin para o plano de carreira dos funcionários públicos, dito como  imposta e autoritária, no qual os trabalhadores responderam, no último dia 2 de março, com um banho de água fria no “carnaval” do governo quando deram números à votação de 95,7% pela opção D, que simbolicamente representou um “não” ao Prefeito e fortaleceu a classe para uma nova discussão do plano de carreira.

Apresentando quatro propostas, A, B, C e D, sem consultar os trabalhadores através do sindicato, Aidan causou indignação aos servidores públicos e a questão foi parar na Câmara dos Vereadores, que “seguraram a demanda” e agora vão descascar o “abacaxi”.

Para a oposição, Aidan agiu como Poncio Pilatos, “lavando as mãos”, depois que encontrou resistência e foi pressionado à sentar para discutir a questão abrindo a possibilidade de se começar o diálogo, se a proposta “D” fosse bem votada.

Para oposição, Aidan Ravin, Prefeito de Santo André (foto) deu uma de Poncio Pilatos, ao lavar as mãos diante do assunto.

Numa resposta, estilo “tsunami” ou “avalanche” a questão obteve maioria esmagadora e agora só resta ao governo rever sua proposta de plano de carreira, juntamente com os interessados por ela, os servidores públicos.

De acordo com o Sindiserv, Sindicato dos Servidores Públicos de Santo André, todas as opções colocadas em votação eram variações de uma mesma proposta, que incluia básicamente em todas o congelamento dos biênios, um direito adquirido dos servidores, no qual seria substituido por um outro modelo que avaliaria o servidor pelo seu desempenho: “A avaliação seria feita pelas chefias, sem clareza de como aconteceria e sem dicussão com os servidores.”, explica Aylton Silva Affonso, do setor de comunicação social do SINDISERV,  e continua: “O governo já anunciava essas propostas, porém nunca chamou-nos para discussão e a opção “D” foi colocada, através de pressão junto aos vereadores, nos termos de que seria essa a opção de negação da classe às propostas apresentadas pelo governo.”

Com o apoio e aprovação do requerimento solicitando o cancelamento da votação, que ainda assim aconteceu, ficou claro o isolamento do governo municipal, que não pôde contar nem com a força dos vereadores da situação.

“Ao contrário do que o governo pensava, que a opção D, vencedora com 95,7%, seria para deixar como estão as coisas, essa pressão junto ao legislativo e a vitória absoluta mostra que queremos sim um plano de carreira, mas com discussão aberta diretamente com os servidores, para chegarmos à uma proposta ideal para todos.”, afirma Wagner do Nascimento, que trata das relações sindicais e completa: “A opção “D”, que seria o “lava mãos” do governo, acabou sendo um “tiro no pé” do prefeito, que agora terá que sentar e ouvir o que temos a dizer e discutir a proposta com os servidores.”

Para o Sindicato, uma discussão direta, pode até poupar uma votação de opções, se caso consiga chegar numa proposta que agrade e atenda aos direitos dos servidores, que inclui na discussão o aumento de recursos finaceiros para o servidor.

Para a oposição, está configurado a derrota do governo: “Com essa votação maciça, vimos uma grande derrota do Prefeito Aidan e ficou claro a vontade do servidor em abrir o diálogo para negociar o verdadeiro plano de carreira e cargos sem que seja retirado os benefícios existentes. A bancada do PT vai cobrar do governo que seja aberta a negociação com os servidores, e queremos que seja realizado, junto a outras prefeituras de porte parecido, uma pesquisa de salários, para que cheguemos numa média justa de valores, inclusive para o piso da categoria, que está muito baixo.”, explica o vereador Thiago Nogueira, PT, que completa dizendo que o governo não é justooferecendo a proposta de pegar os 4,5% (biênios) de todos e direcionar apenas para uma parte dos servidores.

“Os vereadores ficaram bastante incomodados com o fato de chegar aqui na Câmara a responsabilidade de tirar o direito de uma categoria. Todos os vereadores, situação e oposição, torceram pela proposta “D” e apoiaram o Sindicato nesse começo de negociação. O governo, por sua vez, deu uma de Poncio Pilatos, lavou as mãos numa questão criada por eles, onde se tivessem discutido com os trabalhadores, teríamos aqui na Câmara apenas uma proposta para ser votada, após a prévia negociação entre governo e servidores, o que não ocorreu e por isso foi derrotada.”, finaliza Thiago Nogueira.

Para o lider do governo, Vereador Donizete Pereira, PV, é uma decisão quase que unânime da categoria em não deixar a situação como está, pois foi percebido que há a intenção de se discutir o plano de carreira devido a insatisfação dos servidores com as propostas apresentadas: “Em uma situação de dúvida é preferível deixar as coisas como estão, e de acordo com a conversa que tive com o SINDISERV e com o governo, é desejo da categoria que essa discussão avance, que se trabalhe a reclassificação de alguns cargos, discuta planos de carreira por categoria, através de um debate mais amplo e, quem sabe seja feito em partes, sem a necessidade de se fazer tudo de uma vez.”, e continua, “E o que conversamos com o sindicato é que havendo a vitória da opção “D”, lutaríamos aqui para manter aberto o canal de negociação e discussão junto ao governo.”

Donizete, vereador e líder do governo, ficou numa saia justa ao responder se o apoio aos trabalhadores representava desaprovação ao projeto do governo.

Para Donizete, não houve desconforto para ele, o fato desta questão ter ido para na Câmara, nas mãos do Legislativo: “Estou acostumado que as pessoas venham reivindicar aqui na Câmara, é natural que aqui amplifique o desejo do povo, pois aqui é o local do debate e da discussão, é a casa do povo. Vejo isso positivamente, pois é bom que a sociedade saiba que tem aqui, na Câmara, um canal de discussão e negociação. E a votação que aconteceu, com resultado de 95,7%, descartou qualquer desconfiança e mostrou a lisura deste processo democrático.”

Ainda perguntado se o apoio da base governista ao resultado da votação seria como uma discordância dos vereadores da situação à proposta do Prefeito Aidan, respondeu que foi dito que todos respeitariam a decisão dos servidores e os vereadores, como representantes do povo, tem apenas que acatar e batalhar para que essa discussão avance, pois é muito bom para o governo ter o servidor motivado, discordando que o governo tenha “lavado as mãos” nesta questão: “O governo fez o papel dele e agora temos todos que dar as mãos e trabalhar nessa questão. O Sindicato está bem centrado e o diálogo tem sido equilibrado. Acredito que não entrarão na discussão politico-partidária, pois para o servidor pouco importam as siglas e sim prestar o serviço da melhor maneira possivel à sociedade. Agora se apresenta uma oportunidade rara e histórica de contribuirmos diretamente para um plano de carreira que possa ficar por 20 ou 30 anos na cidade.¨

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: