Som alto no centro fazem moradores pedirem providências às autoridades

O local é o único "point" da cidade.

Do outro lado, jovens alegam que a cidade não oferece opções de diversão

Moradores da região central de Rio Grande da Serra sofrem, aos finais de semana, com o barulho provocado pela aglomeração de jovens no entorno da Praça da Bíblia.

De acordo com informações, as famílias não conseguem descansar, sequer ouvir o som da TV, devido às músicas altas, que partem dos veículos estacionados contornando a praça: “É impossível ver TV, dormir e até conversar dentro de casa. Parece que estão ouvindo som dentro da minha sala.”, conta um dos moradores, que mora há cerca de 100 metros do local.

Acompanhamos durante dois finais de semana, a movimentação no local, e o que vimos foi uma concentração grande de jovens, carros com sistema de som modificados, até picapes com som montado na caçamba tocando som alto e transformando a rua em uma balada. Som de música eletrônica e funk eram as mais tocadas.

Em bares locais, proibidos de tocarem músicas, graças a Lei do Silêncio, o som ouvido é muito mais alto do que o som que emitiam, na época, garante um dos comerciantes.

“Numa noite dessas, veio a polícia e encerrou a farra da garotada, porém os policiais desceram para os bares e ordenaram que todos fechassem as portas. Gozado é que outros bares, de movimentos “suspeitos” , com forró e som alto, eles fazem vistas grossas.”, conta um dos frequentadores, indignados.

A reportagem, nos dois sábados em que acompanhou a movimentação da “balada” na rua, ficou no local por mais de uma hora, período em que não surgiu nenhuma viatura policial no local.

Perguntamos à um dos vereadores sobre a Lei do Silêncio, e fomos informados que ela só tem abrangência sobre o comércio, cabendo à Polícia Militar a fiscalização e coibição de som alto em vias públicas.


A POLÍCIA ESCLARECE

De acordo com a Polícia Militar, por meio do setor de comunicação do Comando de Policiamento de Área Metropolitano – CPA/M6, ocorrências de “pertubação do sossego” devem ser tratadas com dois focos diferentes: um, o da Legislação de Trânsito e resoluções do CONTRAN e o outro, o da Lei das Contravenções Penais (LCP).

Segundo o Capitão Jefferson Aurélio Cansian, diante da legislação de trânsito, a grande concentração de pessoas nas ruas, bem como veículos estacionados atrapalhando a passagem, o que geralmente ocorre na proximidade de bares e restaurantes pode ser a constatação de infrações de trânsito e a multa varia entre cinqüenta e trezentas UFIR.

Ainda o Capitão Cansian alerta para a Lei de Contravenção que pode dar prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa para quem perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheio com gritaria ou algazarra; exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais; abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos; provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem guarda e a Polícia Militar ou Ministério Público pode agir sem que seja necessário uma denúncia, e avisa: “Portanto, não há uma hora determinada que você possa utilizar o som alto, a qualquer hora do dia ou da noite dependendo do volume que você estiver utilizando seu “som”, se os seus vizinhos se sentirem incomodados poderão solicitar o concurso da Polícia Militar para o atendimento da ocorrência. Caso ocorra o registro na Delegacia, a pessoa terá o prazo de 6 meses para representar contra você, e em sendo aceita a representação, você estará sujeita as penas da Lei.”, explica o Capitão que finaliza mostrando que, infelizmente, das solicitações feitas por moradores à Polícia, solicitando providências contra o som alto ou a pertubação de sossego, menos de 1% das pessoas se dispõe em ir à delegacia registrar queixa, quadro que dificulta o controle destas ocorrências.

Quanto à questão, em que os soldados teriam obrigado os bares a fecharem as portas, a Comandante da Polícia de Rio Grande da Serra, Tenente Graziela, disse que apurará os fatos para constatar se houve excesso, por parte do policial.

UM PROBLEMA É A FALTA DE OPÇÕES DE ENTRETENIMENTO NA CIDADE

Hoje, Rio Grande da Serra quase nada pode oferecer ao jovem e também ao turista, em termos de entretenimento e estrutura para receber bem os visitantes.

E se a questão turística deixa a desejar em Rio Grande, no quesito entretenimento não é diferente. Durante os finais de semana, onde milhares de veículos cruzam a cidade em busca dos bares com musica ao vivo e bons restaurantes de Paranapiacaba, Rio Grande da Serra funciona como um bairro de periferia de Ribeirão Pires.

Sobra a Praça da Bíblia, no centro, onde é proibido os bares tocarem som sem acústica, porém não há motivação para o comerciante investir tamanho dinheiro em seu estabelecimento, pois não enxergam o “retorno” devido a falta de política de desenvolvimento turístico.

Com isso, jovens que ficam na cidade, recorrem ao “point”, meio capenga, sem acompanhamento de autoridades, sem fiscalização, sem envolvimento da Prefeitura, e no ímpeto de se divertir, infrigem o direito de descanso de moradores, ficam à mercê do tráfico de drogas.

Duvido que os bares fiquem felizes se desligarmos o som e formos embora.

Conversamos com vários jovens durante a “balada” no centro de Rio Grande da Serra, e a resposta era praticamente um consenso: “Rio Grande não tem nada para o jovem. Se desligar o som, a maioria vai embora, gastar dinheiro em outra cidade e outra parte vai ficar na praça, consumindo droga.”, diziam, numa grande roda de amigos, próximos à um dos carros com som.

“Aqui vem gente de todos os lados. Olhá lá aquele rapaz, ele vem de São Bernardo do Campo curtir o som aqui. Ele vem gastar aqui na cidade. Olha quanta gente consumindo. Duvido que os bares fiquem felizes se desligarmos o som e formos embora. Aqui não tem nada, e o pouco que tem querem tirar. Semana passada aconteceu isso, a Polícia mandou desligar, desligamos. Mas fomos embora, gastar dinheiro na Indio Tibiriça e na Avenida dos Estados.” conta Japa, 22 anos, comerciante.

“Nessa cidade ninguém pensa no jovem, a Prefeitura não está nem aí. O descaso começa pelo esporte, não há esporte e sim um jogo aqui, outro ali no Campo. E quando chega fim de semana, é sempre a mesma coisa, só usam a praça para Carnaval e festa da cidade, depois o resto do ano, ninguém tá nem aí.”, reclama Gustavo, 30 anos, morador do Parque América e continua, “E no Carnaval? Quem vai punir eles por perturbar o sossego dos outros? Um lado pode e o outro não?”

A PREFEITURA SE CALA MAIS UMA VEZ

Sem demonstrar o menor respeito pela população, a Prefeitura prefere se calar diante de problemas sociais.

Parece acreditar que a população não tem memória e deixa o silêncio arrogante à quem tem o direito de saber e cobrar.

De um lado moradores que precisam de sossego, do outro o comércio que precisam de clientes, do outro lado os jovens que necessitam de lazer e entretenimento e no centro a Prefeitura de Rio Grande da Serra que, ao que parece, não sabe como agir, por não ter política pública para desenvolver o turismo, desenvolver o potencial comercial da cidade, desenvolver o esporte e o lazer à população, nem plano de habitação e nem vontade de defender a cidade de crimes ambientais praticados por seus próprios servidores.

One Response to Som alto no centro fazem moradores pedirem providências às autoridades

  1. jaciara disse:

    infelizmente vivemos em uma cidade atrasada em todos os sentidos inclusive a mentalidade dos politicos arrogantes em sua maioria que o que conta pra eles é o sálario magrinho que eles recebem coitados, só resta a população tomar providências a respeitos por que vai vir outras eleições por ai, a coisa já passou dos limites, vamos abrir os olhos população.

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