Festival de Inverno trouxe 150 mil pessoas e feras da música popular brasileira.

Cantores consagrados falaram com a Tribuna, e deram declarações polêmicas.

No último mês, a região recebeu serrana do ABC paulista recebeu a 11ª edição do Festival de Inverno, na Vila de Paranapiacaba, em Santo André.

Famosa pelo forte apelo cultural, o evento abre oportunidades à músicos revelações e artistas consagrados no cenário nacional e até mundial.

Nos três finais de semana que duraram o Festival de Inverno, foi possível “respirar” cultura nos diversos pontos de apresentações musicais, que eram desde MPB até Jazz clássico, além de espetáculos informais, promovidos pelos próprios visitantes, nas ruas da antiga Vila, que apresenta não apenas o clima europeu, mas sua arquitetura, um verdadeiro museu ao céu aberto, com construções da época da exploração da primeira ferrovia, a São Paulo Railway, quando ingleses se instalaram na região, onde possui o primeiro Campo de Futebol do Brasil onde Charles Miller, pai do futebol, jogou suas partidas.

Shows nos palcos ao lado do antigo Mercado e no famoso Clube Lira Serrano, eram disputados pelos frequentadores, que puderam curtir Eder Palmieri, Raices de América, Zé Geraldo, Vânia Bastos, Cidadão Instigado, Nasi, Renato Teixeira, Beto Guedes, Oswaldinho do Acordeon, Pedro Mariano, Marcelo Jeneci, Blues Etílicos, Rita Ribeiro, entre tantos outros que se apresentaram nas diversas localidades de Paranapiacaba.

Milton Nascimento fez um show emocionante.

Ainda no primeiro Campo oficial de Futebol do Brasil, em uma arena montada, lotaram todas as noites para assistirem Pato Fú, Baile do Simonal, Milton Nascimento, Jorge Vercillo, Teatro Mágico e Lenine.

Ao todo, passaram pela Vila cerca de 150 mil pessoas e movimentaram a gastronomia, nos mais diversos bares e restaurantes, além das praças de alimentação montadas especialmente para o evento. As pousadas e quartos alugados em residencias de famílias de Paranapiacaba também lotaram, tudo para manter o visitante no evento e incrementar a economia local, que vinha enfrentando dificuldades.

Diversos cantores falaram com nossa equipe, e abaixo reproduzimos momentos importantes das conversas:

Cantor Renato Teixeira

…agora que temos uma educação medíocre, a gente também quer o que? O mar não está para Rui Barbosa, o mar está mais para Tiririca do que pra Rui Barbosa.

TRIBUNA : O Festival de Inverno tem um público diversificado e todos acompanham e curtem as centenas de trabalhos musicais, de apelo comercial, nem sempre de qualidade, mas ao prestigiarem um Festival como este, “Cult” da música brasileira, comparecem pelo reconhecimento à qualidade da obra musical, renovando inclusive a leva de fãs, que hoje se verifica diversas faixas etárias. Como você enxerga tudo isso?

Renato Teixeira: Essa renovação de público é uma tendência. A música tem altos e baixos. Na fase de alta, aparecem Chico Buarque, Caetano, Tom Jobim, Ari Barroso, Pixinguinha, Noel Rosa, e na época de baixa não aparece ninguém, e é assim que é, isso é cíclico. Já tivemos vários períodos de baixa, mas sempre há uma recuperação. Eu sinto que agora virá uma fase boa da música, pois mesmo esse pessoal que começa fazendo uma música mais comercial, com o tempo essa turma começa a amadurecer. A música é um organismo dinâmico muito positivo, ele não se deteriora, ela se recompõe, se recria, se recoloca permanentemente no mercado.

TRIBUNA: Em relação ao seu trabalho, diferenciado dos trabalhos de diversos nomes, com perfil apenas comercial?

Renato Teixeira: Se você for olhar na imprensa por aí, você encontra revista Veja, mas também tem a revista Caras. Tudo é assim.. tudo tem dois lados. A música está sempre representando a situação cultural de uma nação. Quando a gente tem uma boa cultura, como foi a época dos anos 70, quando o Brasil tinha cerca de 100 milhões de habitantes, havia uma educação mais elaborada, então surgiram artistas mais sofisticados, agora que temos uma educação medíocre, a gente também quer o que? O mar não está para Rui Barbosa, o mar está mais para Tiririca do que pra Rui Barbosa.

TRIBUNA: Ainda durante o show, percebi um enlaçamento sentimental entre sua apresentação e a platéia, algo como um encontro entre amigos em uma sala para trocarem experiências através da música, como você explicaria isso?

Renato Teixeira: Minhas músicas fazem parte um pouco da vida das pessoas, pois elas vem acompanhando gerações, uma característica da música brasileira, e hoje se criam músicas que seguirão acompanhando muitas gerações também. É a dinâmica da música e da sociedade, e que vai se definindo assim.

Cantor Pedro Mariano

Ele é muito irmão mesmo… no caso do Jair, isso é tudo muito completo pois eu o adoro como pessoa. (sobre a amizade com o músico e cantor Jair de Oliveira)

O músico contou há tempos ouvira falar do Festival de Inverno em Paranapiacaba e quando surgiu o convite ficou vibrante e o quanto foi gratificante sua apresentação no evento: “A troca de energia com o público foi fantástica. É isso que um artista espera ao subir no palco. A sensação que eu tive hoje foi única, pois há tempos que eu não tocava num espaço com uma “Vibe” tão legal.”

TRIBUNA: Com relação ao seu novo trabalho, o CD que será lançado, fale um pouco da produção dele e também qual a participação do Jair de Oliveira nele.

Pedro Mariano: O CD é uma produção minha, junto com Otávio de Moraes e Conrado Góes. O Jair, como é em todos os meus discos, ele entra como autor. Ele colocou três músicas neste disco e essa é a quase eterna contribuição dele. Não consigo pensar em fazer um disco sem pelo mesmos uma música do Jair de Oliveira. Toda vez que eu para para fazer um disco, a primeira pessoa que eu pego o telefone e ligo é para ele.

TRIBUNA: Percebemos durante o show, quando você se referiu ao Jair, um sentimento de irmão, um laço muito forte entre vocês.

Pedro Mariano: Mas é mesmo. Ele é muito irmão mesmo. Na arte, na música, no meio profissional, existe muita gente que trilha caminhos juntos, durante anos, mas não necessariamente têm uma amizade fraternal intensa. Mas no caso do Jair, isso é tudo muito completo pois eu o adoro como pessoa, é um baita companheiro, é um cara “ponta firme” e além de ser um grande músico, um grande compositor, muito dadivoso, profissionalmente falando é um cara completo, portanto tê-lo por perto é uma honra.

TRIBUNA: No Show de Jair de Oliveira e no Show de Pedro Mariano, percebe-se coisas em comum. Além da energia e o astral, o modo generoso e muita humildade com a platéia, essas características ligam vocês?

Pedro Mariano: Pode ser. Acho que o fato de trabalharmos fazendo o que a gente gosta, se divertindo onde, aqui, estou trabalhando com quem eu gosto, com gente que eu gosto, e fazendo o bem, acho que só agradecendo as oportunidades, essa energia certamente provém disso.

Cantor Jorge Vercillo

…infelizmente a pirataria e o download grátis que as pessoas praticam, essa cultura que as Bandas de Forró e os Cantores Sertanejos têm de queimar um CD e sair dando para as pessoas…

O músico explicou que estão na fase final da turnê D.N.A, uma fase importante por terem conquistado duas indicações ao prêmio Grammy Latino, e o show baseia-se neste disco e outras canções já consagradas, além de avisar que em Outubro virá disco novo.

TRIBUNA: O que pode adiantar sobre esse seu novo trabalho?

Jorge Vercillo: Ainda estou gravando, mas é um disco novo que está sendo gravado na minha casa e narca o momento que estou saindo das grandes gravadoras e lançando meu próprio selo junto com a Posto 9, e será um disco de músicas inéditas, o que me deixa contente.

TRIBUNA: O que te levou à lançar uma gravadora própria?

Jorge Vercillo: Montei uma gravadora própria para me tornar um artista maior, por chega um momento que infelizmente a pirataria e o download grátis que as pessoas praticam, essa cultura que as Bandas de Forró e os Cantores Sertanejos têm de queimar um CD e sair dando para as pessoas, como algo banal, acaba piorando a situação. Não digo que a responsabilidade por isso seja deles, pois estão inseridos num contexto onde já havia a pirataria, porém está banalizando ainda mais. Eu chego no interior do País e as pessoas chegam pedindo CDs e isso tira o emprego de muita gente. Eu ainda posso fazer shows, mas os técnicos, os arranjadores, os músicos, artistas gráficos que fazem a capa, todos acabam prejudicados em seus empregos, e isso faz com que a gente saia de uma gravadora porque acaba tendo mais força sozinho. Mas torço pelas gravadoras e espero que com o download, sendo pago, venha a fortalece-las novamente para que possam investir nos artistas.

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