Crime Ambiental com suposta autorização da Prefeitura.

Dona da área diz que prefeito autorizou e funcionários da prefeitura frequentam local

Andando pela cidade, em Rio Grande da Serra, nossa equipe de reportagem deparou com um caminhão carregado com terra, suspeito, seguindo em direção ao bairro Pedreira.

Passamos a seguir o caminhão, com placa de Santo André, e filmamos o trajeto até seu destino final, uma espécie de “bota fora” clandestino, na estrada Eiji Ota, no qual foi despejado dezenas de viagens de terra e entulhos com materiais nocivos à natureza.

Estavam cometendo crime ambiental em plena luz do dia, em área de manancial.

Entulhos aos montes com material nocivo foram despejados para a Igreja

Nossa equipe saltou do carro e, no momento do flagrante, o motorista do caminhão, responsável pela descarga, desconcertado, disse ter trazido a carga à pedido de um tal Dirceu, dono do caminhão.

Perguntado de quem é o terreno que ele estava descarregando a terra, respondeu pertencer à uma igreja. E sobre se havia autorização para descarga de entulhos neste terreno, disse não saber, mas confirmou que a dona estava sabendo da descarga.

Localizamos duas mulheres, que aguardavam no fundo da propriedade, que tinha uma casa construída, uma delas se identificou como irmã, e a outra como esposa, ambas do Pastor da igreja.

De acordo com a irmã do Pastor, a área estava sendo preparada, aterrada com os entulhos e as terras para se transformar em estacionamento da igreja “Assembléia Escolhidos de Deus no Brasil”.

Área degradada devido ao crime ambiental. Proprietário deverá ser multado e quem autorizou deverá se safar

Em seguida, a esposa do Pastor disse não saber quem autorizou a descarga do entulho no local, mas confirmou que foi feito um pedido. “Não sei quem foi que pediu, só sei que estão jogando os barros aí (sic) para fazer o estacionamento da igreja”, disse a irmã do Pastor, e confirmou que a área era toda alagada, o que pode se suspeitar de que poderia ser área de nascente ou curso d´agua.

EM SEGUIDA, COMEÇAM A REVELAR QUEM AUTORIZOU

Depois de perguntarmos novamente, para saber se a autorização era do município ou de outro lugar, a esposa confessou: “Acho que a obra é da Prefeitura mesmo, foi falado com o Prefeito.”, e confirmou que toda a área de aterro é terreno dela: “Inclusive já pedi até para pararem, porque já tem bastante terra.”

Já a irmã do Pastor disse ter vários funcionários da Prefeitura, membros desta Igreja. Também disseram que quem estava autorizando era um Ricardo, que trabalha na Prefeitura. Perguntada se tratava-se do Secretário, respondeu que deve ser, pois só ouve falar o nome dele.

O QUE A CETESB, ÓRGÃO FISCALIZADOR, TEM A DIZER?

Para termos a confirmação se havia autorização e consequentemente licença para o descarrego de entulhos e terras neste terreno, procuramos a CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental, ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo paulista, e mostramos as imagens do local.

O órgão enviou o laudo onde diz: «…constatando-se o depósito de resíduos (material proveniente de construção civil e terra), o que caracteriza a execução de aterro, sem o devido licenciamento ambiental; o aterro está sendo realizado em Área de Proteção aos Mananciais e em Área de Preservação Permanente (APP), constituída por várzea; a infração enquadra-se como crime ambiental…”

Ou seja, é crime ambiental, causado por uma suposta “ajudinha” da Prefeitura à Igreja. Coincidentemente a possível ajuda acontece em período próximo à corrida eleitoral.

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