Falta de ambulância faz vizinha socorrer deficiente empurrando cadeira pelas ruas de Rio Grande

Vizinhos e família dizem que município não tem respeito pelo deficiente: Cadê a verba?

Os anos vão passando, e os problemas na Saúde de Rio Grande da Serra continuam e velhas reclamações novamente atravessam a virada do ano e deixam a sensação que a Prefeitura não parece preocupada em resolver problemas.

É o caso do serviço de ambulância da cidade, que deveria ter socorrido a portadora de deficiência, Vanessa, que passava mal em sua casa, e depois de quase duas horas de espera teve que enfrentar as esburacadas ruas de seu bairro, em sua cadeira de rodas, passando mal, auxiliada por uma vizinha, para poder chegar à UBS Central.

De acordo com Cristiane, vizinha, na quarta feira, dia 1 de fevereiro, Vanessa ligou para ela se queixando de dores e mal estar: “Moro ao lado, sou amiga dela e assim que ela terminou o banho disse a ela para ligar para ambulância. Isso era cerca de quase dez horas da manhã. Então ela ligou e solicitou a ambulância e o pessoal da UBS disse para aguardar a chegada do veículo.”, “Antes ajudei Vanessa a se arrumar para esperar a chegada da ambulância e fui embora, pois uma outra pessoa iria como acompanhante.”

Porém, de acordo com Cristiane, ao retornar, quase meio dia, para saber da amiga, se surpreendeu ao ver Vanessa ainda à espera da ambulância: “Fiquei revoltada! Peguei ela, que nervosa ligou para lá cancelando tudo, e fui empurrando a cadeira de rodas nesta rua de paralelepípedo, terrível de se andar, esburacada, até a UBS Central. Cheguei lá e falei um monte, inclusive para a moça responsável pela ambulância.”

Segundo Cristiane, a responsável pelas ambulâncias, Sandra, explicou à ela que não havia previsão para espera, e justificou que a falta de veículos era o motivo: “Ainda ela quis dizer que a Vanessa ligou cancelando a ambulância, mas eu respondi que é lógico, pois a chamada foi antes das 10h e quase meio dia e nada de socorro, tinha que cancelar mesmo. Está mais que certa, porque se tivesse morrendo, já era.”

Chegando na UBS Central, Vanessa e sua amiga, depois de caminhar empurrando sua cadeira de rodas pelo meio das ruas de paralelepípedo, correndo sério risco de morte por atropelamento, devido à falta de calçadas em condições, em Rio Grande da Serra, foram, depois do “barraco armado” finalmente atendidas pelo Clinico Geral e, depois de medicada, liberada para retornar à sua residência, porém desta vez, de ambulância.

“Da próxima vez, chamarei a Polícia e farei um Boletim de Ocorrência, porque no meu entender, é uma omissão de socorro.”, promete Cristiane
Em sua casa, Vanessa mora com a mãe, Dona Ana, que cuida dela e trabalha para manter o lar. Durante sua ausência, Vizinhos dão suporte, ajudando em tarefas que não consegue fazer sozinha.

Para Ana, o direito do deficiente, em Rio Grande da Serra é precário: “Dia 8 de novembro, minha filha precisava de transporte para fazer uma cirurgia, na Casa da Esperança, em Santo André, e acabou cancelando, porque eles disseram que não tinha carro. Mas isso não foi a primeira vez não, aconteceram várias vezes. Minha renda é pouco e por várias vezes tive que pagar um taxi ou contar com a ajuda de amigos para levar ela. E quando vou solicitar algo para deficiente, eles dizem não podem autorizar para ela, porque senão terão que autorizar para todos.”, e indignada completa, “Ainda os vereadores falam que não tem só a Vanessa, mas se tem mais gente, é claro que tem que ser para todos os deficientes. Que tipo de tratamento estão dando para os deficientes?”
Ainda chateada, Dona Ana diz que está pagando contas que são de obrigação da Prefeitura: “Onde está a verba que vem para ser usado junto aos deficientes?”.

Não bastasse, Ana ainda revelou que as ambulâncias não são adequadas para transportar sua filha, e nas poucas vezes que conseguiu transporte, Vanessa foi colocada no banco da frente, apertada, e sua cadeira de rodas é que vai no local destinado ao paciente, juntamente com a acompanhante: “Inclusive uma vez houve um acidente, que machucou minha filha e fraturou o braço da acompanhante que, na parte de trás do veículo não teve onde se segurar.”

“Vanessa já perdeu tratamentos por falta de veículos, já se prejudicou na faculdade, onde é bolsista, e ainda tem problemas, justamente por não ter veículo para leva-la. Ela é uma cidadã, independente dela ser cadeirante ou não, ela tem os direitos dela. Agora, ela perde tratamentos, perde a faculdade, e assim vai, perdendo. Então é só perda? Então ela só tem deveres? Direitos ela não tem?”, completa Cristina

Ainda Vanessa corre risco de perder a bolsa, que conquistou na faculdade, devido ao numero de faltas por não conseguir estudar por falta de transporte. Apesar das faltas, Vanessa tem notas exemplares no curso de Direito que faz.

“É humilhante ter que passar por isso, sendo que é um direito nosso. O estado em que me encontro é péssimo e aí vem este tipo de tratamento do município, parecendo que estou pedindo esmolas, por uma coisa que sei que é nosso direito.” Explica Vanessa, cadeirante, cursa Direito na Faculdade, através de bolsa integral.

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