Paciente com câncer é largado em Santo André por ambulância de Rio Grande da Serra

E Secretário de Saúde teria ameaçado mãe da paciente, caso denunciasse à imprensa.

Depois de publicarmos o caso de uma cadeirante, que ao passar mal solicitou uma ambulância mas acabou chegando à UBS Central em sua cadeira empurrada pela vizinha pelas ruas esburacadas da cidade, depois de esperar horas pelo socorro que nunca chegou, mais uma história de grave descaso com o ser humano, é o que está vivendo a jovem J.S.G.S, de 21 anos, moradora do bairro Novo Horizonte, em Rio Grande da Serra, que além de se desgastar quase implorando transporte para seu tratamento, aguenta humilhações e ainda tem que voltar para casa, pedindo dinheiro na porta da estação de trem, tudo porque o funcionário da Saúde se recusou a esperá-la fazer exames.

Vítima de câncer denominado, segundo laudo médico, Tumoração em Rinofaringe, a jovem além de passar pelo sofrimento físico e psicológico, entre dores e incertezas, é ainda açoitada pelo descaso da Prefeitura de Rio Grande da Serra, cujo o nome da Secretaria é o “de Atenção à Saúde”, que há tempos não consegue prover condições dignas para os pacientes da cidade que procuram por auxílio.

Em sua casa, deitada no sofá, encolhida, ao chegarmos vimos a jovem, silenciosa, pensativa, à espera de uma solução para seu sofrimento.

Sua mãe, dona Enis Gorete Guilherme, se desdobra em cuidados com a filha e revoltada, não suporta mais o modo humilhante como vê J.S.G.S. ser tratada pelo Poder Público de Rio Grande da Serra.

Ao ser diagnosticado a doença, conta dona Enis, o médico determinou o início imediato do tratamento de rádioterapia: “Foi determinado pelo médico que minha filha não pode ser transportada em meio de transporte coletivo, devido ao risco de contaminação por meio de bactérias. No início levaram a gente duas vezes para São Paulo, depois não levaram mais, alegando que era preciso o laudo médico da doença, o que foi providenciado, até porque minha filha estava acamada, devido à cirurgia de retirada de tumor no cérebro.”

Neste meio tempo começaram os problemas, pois dona Enis, apesar de conseguir o laudo, depois de ouvir por telefone do coordenador das ambulâncias que sem laudo não disponibilizariam nenhum carro: “O rapaz, o tal de “Chocolate” que coordena as ambulâncias, exigiu o laudo, mas eu fui à UBS Central e conversei com a Marli, diretora da Saúde, que se espantou e disse que nunca precisou de laudo para ninguém, mas que eu trouxesse o tal laudo e, independentemente o carro continuaria levando minha filha.”, disse também que a diretora de Saúde lhe confidenciou que por conta disto houve uma confusão entre ela e o “Chocolate” por ele se recusar a fornecer o veículo.
Com esta confusão toda, só restou à mãe pedir auxílio à Câmara de vereadores, onde conseguiu o carro da própria Câmara para levá-la, porém descobriu que o veículo servia de transporte para outros doentes: “Quando fui com minha filha, o carro também passou em outro bairro da cidade, o Rio Pequeno, para pegar uma senhora também, mesmo sabendo que minha filha não poderia ser transportada coletivamente, não havia alternativa.”

Para amenizar o problema de distância, a médica, de São Paulo, conseguiu transferir o tratamento de J.S.G.S. para Santo André, e assim, a mãe apresentou o novo endereço de tratamento juntamente com o laudo médico à Secretaria de Saúde: “Colaram o laudo na parede, para o setor de ambulância ficar ciente para levar minha filha.”

MOTORISTA DA AMBULÂNCIA DISSE NÃO GANHAR PARA ESSE SERVIÇO

A mãe de J.S.G.S., conta que após isso, chegou um veículo para levar sua filha, porém o motorista estaria visivelmente alterado, nervoso: “O motorista chegou aqui bravo, ignorante dizendo que trabalha 12 por 36 horas, e estava em casa descansando, que fora chamado para cobrir a falta de um motorista, que não estava ganhando nada para estar aqui, até porque o Prefeito cortou todas as horas extras dos funcionários e não pagaria estas horas extras dele. Em seguida entrou no carro, bravo, bateu as portas e arrancou feito louco. Minha filha foi levando uma acompanhante, mas quando retornou, de trem, disse não querer mais ir com este rapaz, pois segundo ela contou ele correu demais.”

PACIENTE FOI LARGADA EM SANTO ANDRÉ E PRECISOU PEDIR AJUDA PARA VOLTAR

Antes de sair correndo, segundo dona Enis, o motorista ainda disse que só ia levar a paciente e que ela que arrumasse alguém que pudesse buscar sua filha: “Eu disse à ele que era apenas 5 minutos de radioterapia, mas ele bateu o pé e disse que não importava quantos minutos eram e que só apenas a levaria.”, conta também que por causa desta confusão , não havia dado dinheiro à filha, por não contar que teria despesa de retorno: “Minha filha, que não podia tomar Sol e nem ter contato com bactérias, teve que ir andando da Avenida Portugal até a Estação, junto com a acompanhante, sem comer nada, com o catéter espetado no corpo e precisou pedir para conseguir voltar pra casa.”, e revolta-se: “Isso foi uma negligência! O médico dela não aceita ela sair daqui para a casa do vizinho, e ela teve que se sujeitar a passar por isso. Contei isso para o médico e ele disse que devo processar a Prefeitura.”

PARA A HISTÓRIA NÃO IR AOS JORNAIS, SECRETÁRIO TERIA AMEAÇADO FECHAR AS PORTAS DA SAÚDE PARA DONA ENIS

Dona Enis conta que foi diversas vezes conversar com o Prefeito, mas nunca foi recebida por ele, mas ao saberem que ela levaria seu caso à público, diz que apareceram carros de todos os lados para levar sua filha.

Conta também que o Secretário de Saúde, Carlos Eduardo da Silva, teria dito que se ela procurasse os jornais, o município fecharia as portas da Saúde para ela: “Ele disse isso, mas como vai fechar as portas, se nenhuma porta foi aberta. Sempre tive dificuldades para tudo aqui.”, explica Enis.

Conta que recebeu uma visita de uma pessoa política do bairro: “Ao invés de perguntar qual a doença da minha filha, a primeira pergunta que fez foi: Já tem algum político ajudando a senhora? – eu perguntei o por quê da pergunta, e ela me respondeu: porque se tiver algum político com a senhora eu não posso ajudar.”, conta indignada.

Quando nossa reportagem perguntou quem seria a pessoa que perguntou, dona Enis respondeu: “Qual a pessoa política, da prefeitura, que mora aqui, no Novo Horizonte?”, disparou.

3 Responses to Paciente com câncer é largado em Santo André por ambulância de Rio Grande da Serra

  1. Junior disse:

    Isso é só uma pequena parte q ocorre no setor da saúde!!!Possui motorista com CNH vencida,carros sem condição d transportar pacientes circulando,agendamento p/ moradores d cidades vizinhas,carros oficiais p/ assuntos particulares…Onde está o ministerio publico q não vê isso???

    • Le disse:

      Que absurdo, onde vamos parar desse jeito, ninguém tem amor a ninguém, falta de respeito com o ser humano, cadê os vereadores, deputados o prefeito KIKO que não toma uma atitude digna para mudar essa situação em RIO GRANDE DA SERRA, depois vem todos pedir VOTOS…. fala sério!

  2. ROSE disse:

    ISSO E UM ABSURDO ,PASSEI POR UMA SITUAÇAO RUIM TMBM ,LIGUEI PRA AMBULANCIA E ELES DISSERAO QUE NAO PEDERIA ME ATENTER A MINHA SORTE FOI QUE UM VIZINHO TINHA CARRO E ESTAVA EM CASA NO MOMENTO PRA ME SOCORRER C NAO ESTARIA MORTA HOJE.GRACAS A DEUS MUDEI DE RIO GRANDE DA SERRA PRA UMA CIDADE MELHOR .

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