ARTIGO | ESPERANÇAS E CONTRADIÇÕES PARA O MEIO AMBIENTE EM RIO GRANDE

por: Marcos Scarpioni - MBA em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável

Caros leitores, viver em espaços urbanizados é conviver com esperanças e contradições, compreendendo as incertezas e transpondo desafios. Portanto, é importante começarmos por (re)conhecer alguns conceitos e preceitos para iniciarmos esse entendimento.

O meio ambiente é um bem de uso comum do povo e de direito público conforme o art. 225 da Constituição Federal de 1988. E mais, “todos têm o direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e a coletividade, o dever de defender e protegê-lo para presente e futuras gerações”.

Dessa maneira, ao conversar com os moradores desde o mais simples até aqueles mais abastados , constata-se em uma expressão unívoca que “Rio Grande da Serra é 100% Área de Mananciais” revelando alguma consciência sobre o conceito de meio ambiente e proteção.

Como já dito, esses são “bem de uso comum e de direito público” e, portanto, passível de gozo de suas benesses por toda a coletividade. Talvez seja por esses motivos que tal afirmação é propagada entre nós na região.

Também tenho escutado com a mesma convicção, que a nossa cidade está “crescendo”, o que entendo ser a expansão da cidade, geração de novas construções, bem como o aumento do número de pessoas, surgimento de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços. Esse dito crescimento traz consigo um misto de esperança e contradições para o município de Rio Grande da Serra.

Diante dessas ideias estabelecidas, é que eu os convido a fazer uma simples reflexão. A cidade estaria crescendo, mas crescendo para onde? Para as áreas mais afastadas do centro e locais que não podem ser ocupados legalmente? Para as entranhas das florestas e matas, em áreas de várzeas? Nas bases e topos de morros e encostas? Em áreas de preservação permanentes?

E mais, estamos realmente preocupados com um meio ambiente equilibrado, o qual é essencial a sadia qualidade de vida, e nosso dever em protegê-lo como preconiza o art. 225 da CF/88?

É bem verdade que esperamos melhorar a qualidade de vida das pessoas na cidade, mas, contraditoriamente, nota-se que não existe a mesma ênfase na fala e ações de vários atores sociais frente às questões ambientais. Talvez estejamos esquecendo rapidamente ou relegando a um segundo plano, a importância de nossos corpos d’água que continuam a receber esgoto e águas residuárias de nossas casas consensualmente; continuamos a cortar e derrubar a vegetação extraindo o “verde” para que apareça o “cinza”; alteramos nossos solos com a deposição indiscriminada de resíduos sólidos e líquidos, além das movimentações clandestinas de terras sem nenhuma preocupação com seu manejo. Somos induzidos pelos meios midiáticos a ser “componentes e condutores” das máquinas geradoras de poluentes causando impactos ambientais negativos na atmosfera solo e água, o que terá a médio e a longos prazos, a perda irreversível das qualidades físicas, químicas e biológicas desses recursos naturais. Temos ainda, esperança da construção de um shopping center, cinema, e tantos outros espaços de lazer para consumirmos bens e serviços, e nem se quer conseguimos contemplar a copiosa biodiversidade local sem gastar nenhum centavo.

Face ao exposto, é que precisamos compreender que à medida que ocorre o adensamento urbano , muito mais recursos sociais, econômicos e ambientais são exigidos para atender as demandas das necessidades humanas, o que vai imprimindo na geografia local o que se conhece tecnicamente por “Pegada Ecológica”. Inversamente a esse fato, os recursos existentes localmente, diminuem já que são limitados, ou seja, acabará se não gerenciados por todos atores sociais de maneira a conservá-los, o que constitui uma grande responsabilidade socioambiental.

Talvez o grande desafio a ser enfrentado por nós seja a mudança comportamental que eu e você podemos fazer adotando uma prática de “cidadania com responsabilidade ambiental” aquela que está preocupada em conservar e preservar os recursos naturais para nossa e para as futuras gerações. Cidadania que esteja atrelada não somente aos interesses individuais, mas aos interesses coletivos, dentre os quais, o maior deles: a sobrevivência humana.

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