OPINIÃO: Secretário de Governo desgraça o Natal dos comerciantes em Rio Grande da Serra

Por Marcio Prado – Peninha

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A população ficou feliz, com a Feirinha da Madrugada, que não aconteceu de madrugada, em Rio Grande da Serra, pela primeira vez nos dias 30/11, 1 e 2/12.

Tradicional, do bairro do Brás, agora se desloca, feito circo, armando sua tenda nas diversas cidades, a grande maioria fabricantes e fornecedores das lojas locais.

Porém existe um outro lado, e a população me desculpe, pois, apesar de vantajoso para o nosso bolso, a visão de quem trouxe, o “idealizador” de tal evento, que de acordo com o Folha de RP foi o Secretário de Governo Gilmar Miranda,  foi irresponsável com a cidade, com o comércio, que nela se instalou, muitos há mais de 15 anos, contribuindo com impostos e participando da alegria e das frustrações, dando dignidade ao centro comercial de um município que ainda tenta parecer uma pequena cidade, mas é só sair do centro, para percebermos que “ainda tenta”.

Foi uma traição dolorosa ao comércio de Rio Grande da Serra, que vem há vários anos se arrastando, em frangalhos, de forma que, para permanecer comerciante na cidade, além de um ato de coragem, empreendedorismo puro, é também um gesto de confiança que dias melhores viriam. Que a cidade cresceria e desenvolveria o consumo interno e teria uma economia melhor.

Mas a instalação da “Feirinha da Madrugada” ilustrou muito bem que, ainda, Rio Grande da Serra é tratada como uma desgastada fazenda, coisa de Coronéis, onde não consultam ninguém, nem quem os elegeram, para satisfazer seus “capricho$$” e utilizam-se da máquina pública deliberadamente para benefício sabe-se lá de quem.

Teriam dito que o espaço fora alugado, para um empreendimento que teria arrecadado acima de R$ 300 mil, segundo informações, mas que aos cofres municipais entrou apenas R$ 300,00 acrescido de taxas.

Quem sabe o Ministério Público possa esclarecer melhor os valores, pois ou somos muito ruins de administração ou alguém foi enganado e alguém se deu bem.

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Milhares de consumidores passaram pela Feirinha no final de semana

Certo ou errado, a certeza é de que o comércio se deu mal e diria também que foram todos enganados, visto que a Associação Comercial de Rio Grande da Serra – ACIARG, não foi sequer avisada. Talvez para que não reagissem, com parecer contrário ao “assalto” que viria por aí.

Conversei com vários comerciantes, todos indignados, viam, impotentes, a fila de consumidores subindo e descendo com as compras de final de ano, que deveria aquecer suas lojas, vazias, às moscas.

“Cancelei contratação de funcionários para o final de ano. Tudo ficou mais difícil agora.”, comentou uma das comerciantes. “Se não equilibrar as finanças neste final de ano, em janeiro terei que dispensar funcionário. “, prevê outra. “A gente dá crédito para os clientes o ano todo, e agora que, com o 13° salário, tínhamos a tranquilidade que receberíamos as dívidas, aprontam essa com a gente. O povo foi gastar lá e, pelo visto, as contas ficarão aqui.”, lamenta outra comerciante.

Fui conversando e ouvindo lamentações e revolta com a “brilhante ideia” do Secretário de Governo municipal, Gilmar Miranda.

Para piorar as coisas, anunciaram o retorno da feira para a semana do Natal, como se o estrago feito ainda não fosse o bastante, teriam que acabar de vez com o comércio da cidade.

“Vamos parar a avenida com barricadas de pneus. Não vão entrar aqui.”, ameaçaram os comerciantes e, sob o clima que esquentaria, o Secretário voltou atrás e disse que cancelaria a feira.

Mas como as reclamações, críticas e desconfianças não pararam, e para “calar a boca” do comércio, antes que algum Promotor de Justiça ficasse atiçado com a história, rapidamente o “idealizador” da feirinha ofereceu-se “angelicalmente” para promover uma feira de saldão no início do ano para o comércio.

Ao que se viu, mesmo quem achou que já tinha visto de tudo, nesta cidade, acho que o Saldão terá muita mercadoria à venda, encalhadas do Natal, que a brilhante ideia do Secretário, e sabe-se lá quem ganhou com “i$$o”, proporcionou a destruição do Natal do comércio de Rio Grande da Serra.

Em tempo: Outro ponto não esclarecido foi como pode ser possível um governo municipal autorizar a instalação e venda de produtos piratas, durante os três dias de eventos, onde a fiscalização da prefeitura simplesmente “evaporou”, apesar da presença de Gilmar durante todos os dias do evento. Seria o uso correto da máquina pública ou seria abuso da função exercida no primeiro escalão?

O fato é que perguntas foram enviadas à Secretaria de Comunicação da prefeitura, porém, ao que vemos, ignoraram e como sempre, a transparência não é o forte desta administração.

Aos consumidores, que foram beneficiados pela Feirinha da Madrugada, de nada devem se envergonhar. Afinal o papel do consumidor é aproveitar a melhor oferta para que possa render mais o já suado dinheiro. O que fica também um alerta às lojas que possam, talvez, abusar nas margens de lucro, dando oportunidades para idéias como estas, onde, além do consumidor, repetindo a frase novamente: sabe-se lá quem ganhou com isso.

10 Responses to OPINIÃO: Secretário de Governo desgraça o Natal dos comerciantes em Rio Grande da Serra

  1. theo santos disse:

    nda ave essa feirinha ta por tdo abc ,os comerciantes de Rio Grande vao no Bras compra roupa pra vender aqui no preço alto colocano mas de 100% por cento em cima do valor pago eles n sao vitima n.

    • José disse:

      Eu, sinceramente, não vislumbro benesses com o “jornalismo crítico” apresentado. Vejamos.
      Primeiramente, basta desembolsar 6 reais para chegar até o Brás, em São Paulo, e comprar muito mais do que havia na tal Feirinha, e com preços menores.
      Na reportagem há o seguinte trecho:
      “A população ficou feliz, com a Feirinha da Madrugada, que não aconteceu de madrugada, em Rio Grande da Serra, pela primeira vez nos dias 30/11, 1 e 2/12.”
      Ora, a população ficou feliz! Não seria uma vantagem para a população comprar mais barato? Qual o problema com a felicidade dos Munícipes?
      Em outra passagem é dito:
      “Mas a instalação da “Feirinha da Madrugada” ilustrou muito bem que, ainda, Rio Grande da Serra é tratada como uma desgastada fazenda, coisa de Coronéis, onde não consultam ninguém, nem quem os elegeram, (…)”
      Os que os elegeram demonstraram a satisfação com a presença na Feirinha. O resultado da consulta mostrou-se explícito com o movimento.
      “Aos consumidores, que foram beneficiados pela Feirinha da Madrugada, de nada devem se envergonhar. Afinal o papel do consumidor é aproveitar a melhor oferta para que possa render mais o já suado dinheiro. O que fica também um alerta às lojas que possam, talvez, abusar nas margens de lucro, dando oportunidades para idéias como estas, onde, além do consumidor, repetindo a frase novamente: sabe-se lá quem ganhou com isso.”
      Não há porque se envergonhar pelo motivo de ter comprado coisas a preço menor. É a lei da oferta e da procura, que traz benefícios para a população, desde os mais ricos até os mais carentes. Quem ganhou com isso foram os Munícipes. A presente reportagem, muito embora tenha criticado tal fato, deixou clara a satisfação dos munícipes de Rio Grande da Serra. Se a população ficou satisfeita, qual seria o inconveniente?

      Ao que parece, a felicidade e satisfação dos Munícipes de Rio Grande da Serra causaram desconforto.

      Peninha: Caro leitor, o foco principal no fato do uso de toda a estrutura municipal, e o uso do cargo de Secretário, para promover algo que, pelo visto, não representou receita aos cofres públicos e ainda prejudicou o comercio da cidade, que realmente enchem os cofres públicos, através de impostos….
      Pelo fato da facilidade em irem ao Brás, fazer as compras, perece então desnecessário tal feira por aqui. Mas o foco é realmente no que expus acima. Abração.

  2. José disse:

    Mas a venda de mercadorias, na verdade, enche o cofre do Estado, e não do Município, eis que o imposto ICMS, cobrado na circulação de mercadorias é de competência do Estado. Há a repartição e distribuição de receitas pelos Estados, mas em princípio, os impostos recolhidos sobre a circulação de mercadorias é de competência do Estado.

    Não obstante o respeito que tenho pelo seu ponto de vista, creio que a tal Feirinha foi satisfatória para os munícipes, que recolhem tributos também, como IPTU, fora IR e outros, que apenas num segundo momento é repassado aos Municípios.

    Abraços!

    Peninha: As mercadorias foram vendidas com nota? Se sim, pode-se vender legalmente objetos pirata, sem procedência (nota de compra), etc?…. Está compreendendo os problemas, contra os comerciantes sérios? Quanto ao IPTU, a locação do espaço R$ 300,00. Mas para dirimir todas as dúvidas, eu elegeria o Ministério Público, que teria instrumentos legais para apuração. Quanto aos munícipes, concordo e nunca discordei do benefício à eles em meu texto. Foi muito bom sim.

  3. José disse:

    Foram vendidas com notas? Não sei. Mas se o foi, caberia à Polícia investigar, e não ao MP. Você concorda? Polícia existe para isso.

    No caso, se houve venda de mercadorias sem nota, tal conduta estaria tipificada na Lei 8.137. Caberia à polícia investigar e remeter o resultado da investigação para, assim, o MP analisar a viabilidade da denúncia (no caso de crime).

  4. Embora até concorde com parte desta crítica,como cidadão nascido nesta cidade ,já tive meu crédito negado fazendo com que fosse eu obrigado à ir justamente ao Brás de onde vieram estes comerciantes e onde fui livremente servido ,atendido ..Nossos comerciantes (não generalizando ,mais em grande número ) devem rever seus conceitos de conquista de clientes.

    • eliete disse:

      São esses governos que dizem que vão combater o crime organizado, abrem as portas da Cidade para trabalhar para o Crime, ajuda a vender os produtos furtados de alguns importadores que não estão no prejuízo porque pagam altos seguros , alguém guardou uma nota fiscal…a EMPRESA organizadora do evento paga ISS para a Prefeitura? CIDADÃO VOCÊS SE TRONARAM CLIENTES DO CRIME ORGANIZADO, Não reclamem quando seus filhos forem mortos e e Estado não tiver policia suficiente para garantir a vida de todos, a própria população encheu o caixa do crime com as diversas feirinhas realizadas no Estado de São Paulo;

      Isto é absolutamente inacreditável;

  5. werther disse:

    A feirinha foi algo de bom pra cidade, visto que a maioria dos moradores da cidade são pessoas de baixa renda e tiveram a oportunidade de comprar produtos bem abaixo do preço, comparando com as lojas locais, em relação a instabilidade no comercio isto é natural ocorrer em alguns períodos do ano e cabe aos comerciantes saberem administrar, tenho certeza que nenhuma loja entrou em falência por causa desses 3 dias.
    Assim como os vendedores locais os comerciantes da feirinha também tem filho para dar de comer. já li muitas matérias suas de ótima qualidade, no entanto, ao ler essa matéria, me corrija se eu estiver errado, tive a impressão que você escolheu um grupo pra defender e fechou os olhos para o outro. Será que só os comerciantes têm que ser beneficiados? A população riograndense também não tem esse direito?
    Em relação a mercadoria ser ilegal concordo com o José ” cabe a polícia investigar. E mudando um pouco de assunto, tem muitos comerciantes em Rio Grande que acham que estão fazendo um favor para os clientes. Acredito que tenha mais alguns, porém eu conheço apenas 2 comércios que atendem bem seus clientes.

    Peninha: Caro Werther, Não estou pendendo opinião apenas para um grupo. Acontece é que justamente um grupo passou a ser o “pano de fundo” desta análise pelo fato acontecido.
    Porém é importante não perder o verdadeiro foco de toda opinião expressada, que é a tomada de decisão, quase ditatorial, utilizando-se como meio, um Poder, vindo do cargo que se ocupa e uma estrutura da Máquina Pública.
    Nenhum governo, seja municipal, estadual ou federal toma decisão que afete um grupo, sem antes conversar com os legais representantes deste grupo, no caso de RGS, a Associação Comercial, seja ela grande ou não, eficiente ou não.
    Além disso, fica a pergunta, não respondida: Quem ganhou verdadeiramente com isso? Não digo sobre a população, que notoriamente se beneficiou (e em nenhum momento eu a recrimino por isso, até dou um puxão de orelha no comercio, veja lá..)
    Mas a questão é: Uma decisão do idealizador, o Secretario de Governo; Essa decisão foi escondida da Associação Comercial; A divulgação foi em cima da hora, tirando qualquer poder de reação; Os cofres municipais tiveram receita de 300,00 + taxas; O organizador do evento, de fora, faturou alto financeiramente; E será que preciso acreditar que o Secretário foi apenas um ser benemérito que não lucrou nada?
    Ruim ou não, o comercio recolhe, aos cofres da cidade, o ano inteiro.. enfim, a opinião jornalística tem este objetivo, o de abrir uma discussão, que poderia passar para o esquecimento, sobre um fato de relevância.
    Existe para ser concordada e discordada. Se fosse unânime, perderia a razão pelo qual foi expressada.
    Grande abraço.

  6. Achei interessante essa feirinha na cidade, os comerciantes tão seguros q esses governantes estavam do lado deles só tiveram a mostra de como será os próximos anos, e a população q está feliz com mercadorias acessiveis ao bolso, terá q desembolçar mais no IPTU em janeiro, Esses q diziam q Rio Grande esta no Caminho Certo acabou por mostrar claramente onde querem levar a cidade, ao descaso as leis e manipulação da massa.

    • José disse:

      Mas, afinal, você foi a favor da feira ou não?

      Peninha: Desde que regulamentada e legal, não há porque eu ser contra. E quando se fala em regulamentada, que são regras, uma dela acredito que deva ser, antes de mais nada, abrir o diálogo com a entidade que representa os comerciantes locais, a ACIARG. Sem entrosamento, diálogo e acordos legais, sempre corre-se o risco de prejudicar muito um lado. E tanto população, como comércio e até indústrias precisam interagir nestas questões.

      • José disse:

        Peninha, eu entendi o seu ponto de vista. Quando perguntei se era a favor ou contra, me referi a Ednalva, eis que não entendi muito bem a opinião.
        Mas é legal discutir tais questões em fóruns virtuais, desde que obedecidos princípos e regras legais, nunca deixando de respeitar opiniões contrárias dotadas de fundamento.

        Mas, resumindo, eu nada tenho a reclamar da administração de Rio Grande da Serra. Acredito que rumores e denúncias aleatórias desprovidas de provas concretas existem em todas as administrações. Quando estão em jogo o Poder e o dinheiro – inclusive público -, sempre haverá uma ala de oposição que “atirará”.

        Um grande abraço e um Feliz Natal para todos os munícipes de Rio Grande da Serra

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