MÁFIA DA MERENDA – Prefeitura de Rio Grande da Serra pode ter suspeitos de corrupção na compra merenda escolar de empresa acusada de fraude e formação de cartel

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A principal fornecedora de merenda escolar para as escolas da prefeitura de Rio Grande da Serra é justamente a empresa GERALDO J. COAN & CIA, acusada pelo Ministério Público do Estado por formação de cartel para fraudar licitações para o fornecimento de merenda escolar. A empresa compõe um grupo que também é acusado de corromper políticos e funcionários públicos, além de lavar o dinheiro da organização criminosa.

A Tribuna da Serra, analisando as planilhas de despesas do município, enviadas ao Tribunal de Contas do Estado – TCE, encontrou registros de fornecimento de merenda escolar pela GERALDO J. COAN & CIA, durante os anos de 2011 e 2012, porém suspeita-se que podem constar o fornecimento, pela empresa, também em anos anteriores.

Como uma das acusações, feita pelo MP é o de corromper políticos e funcionários públicos, abre-se a chance do acesso ao fornecimento de merenda em Rio Grande da Serra, com possibilidade de corrupção de algum funcionário e políticos da cidade para o favorecimento da empresa.

COMO É A FRAUDE:

De acordo com a Agencia Estado, o esquema, segundo a denúncia, começou a ser articulado pelas empresas do setor, que formaram um cartel para impedir a concorrência no mercado. Por meio de lobistas, convenciam candidatos a prefeito e prefeitos a terceirizar o fornecimento de merenda escolar para as escolas. Em vez de garantir eficiência e um custo menor, a medida significava um aumento médio de 30% dos valores gastos pelos municípios com a merenda, pois o cartel impedia a concorrência.

O aumento dos gastos não se devia, de acordo com a acusação, a uma melhoria na qualidade dos alimentos. Pelo contrário: uma das formas de a máfia da merenda ganhar dinheiro era justamente o fornecimento de alimentos de péssima qualidade para as crianças. As empresa ainda superfaturavam o número de refeições fornecidas ou deixavam de entregar o que era devido para aumentar seus lucros. Era por meio dessas fraudes que os acusados arrumariam o dinheiro para pagar as propinas em 57 cidades de 9 Estados. Além de São Paulo, os promotores citam na denúncia pagamentos de propina para outros 22 municípios do Estado.

O dinheiro saía das empresas da merenda por meio da compra de notas fiscais frias de empresas fantasmas. Parte dele era depositado em contas bancárias de laranjas e das empresas fantasmas – no endereço de uma delas funcionava uma igreja evangélica em Indaiatuba (SP).

AS EMPRESAS DO SUPOSTO ESQUEMA:

Além da GERALDO J. COAN & CIA, através do empresário Geraldo João Coan, outras 34 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público, dentre elas empresários Eloízo Afonso Gomes Durães, proprietário da SP Alimentação, apontada como o cabeça do esquema, Marco Aurélio Ribeiro da Costa, da Sistal; Sérgio de Nadai e Fabricio Arouca de Nadai, da Convida; e Ignácio de Moraes Junior, da Nutriplus entre outras empresas e o secretário de Saúde da cidade de São Paulo, Januário Montone, que teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pela Justiça depois da apreensão de memorandos internos da empresa SP Alimentação.

VEREADOR DE SÃO ROQUE PERCEBE ALGO ESTRANHO NO PROCESSO DE LICITAÇÃO E INSTALA CEI PARA APURAR

Após ler o processo, o vereador Rodrigo Nunes – DEM, criou uma Comissão Especial de Inquérito – CEI para apurar o caso: ““Eu avaliei cuidadosamente todo o processo da licitação e percebi algumas questões bastante suspeitas nessa História. Mais de dez empresas retiraram o edital da licitação no mesmo dia, sendo que cinco dessas empresas foram denunciadas no esquema. Vale frisar que o edital ficou disponível para retirada por meses, uma coincidência e tanto! No mais, apenas três empresas apresentaram proposta à Prefeitura, sendo que todas foram denunciadas no suposto esquema da Máfia da Merenda: Convida Alimentação S/A, Gourmaitre Coz. Industrial e Refeições LTDA e Geraldo J. Coan & Cia LTDA. E, ao final, a empresa vencedora foi a Geraldo J. Coan & Cia LTDA, pelo menor preço fornecido”, disse o vereador, “Desde a instauração da CEI da Merenda Escolar alertei a Administração Municipal sobre a possibilidade de fraude, mas nunca o Prefeito mostrou o mínimo interesse em apurar o caso. No entanto eu vou reapresentar os documentos ao Ministério Público Estadual e já contatei o GAECO – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime (órgão responsável pela investigação da Máfia da Merenda) que agradeceu a colaboração na investigação”, finaliza.

ESTRANHA REAÇÃO DA PREFEITURA DE RIO GRANDE DA SERRA E CÂMARA MUNICIPAL

Em Março deste ano, a notícia repercutiu nos principais meios de comunicação, porém nenhuma investigação ou apuração foi aberta pela prefeitura de Rio Grande da Serra, nem pelos vereadores da cidade, que têm a atribuição de fiscalizar os contratos do poder executivo e apurar denúncias também.

VALORES

De acordo com as planilhas do Tribunal de Contas do Estado, em 2011, quase R$ 700 mil foram pagos à GERALDO J. COAN & CIA e outros R$ 1.327 mil em 2012, quase o dobro, coincidentemente ano de eleições.

Até então, a cidade de Rio Grande da Serra não havia sido citada pela imprensa, nem pelo Diário do Grande ABC, cujo o prefeito foi, recentemente articulista, como uma das cidades que mantinha negócios com a empresa acusada pelo Ministério Público.

Buscamos resposta da Prefeitura, para saber como foi aceito a participação da empresa, acusada pelo Ministério Publico, bem como quais eram os outros participantes das licitações nos anos apresentados. Também perguntamos se estas mesma empresas forneceram ao município em anos anteriores.

A prefeitura, novamente, deixou de responder.

2 Responses to MÁFIA DA MERENDA – Prefeitura de Rio Grande da Serra pode ter suspeitos de corrupção na compra merenda escolar de empresa acusada de fraude e formação de cartel

  1. Soares disse:

    Como diz o ditado ” muita água(suja?) vai rolar por debaixo da ponte”. A cidade de Rio Grande da Serra,vem se transformando em uma cidade perigosa,pois aqueles que são eleitos para cuidar e gestar os recursos públicos(dinheiro do povo)fazem do publico o privado (ou privada) e se fazem o que esta relatado em relação a alimentação de crianças ,imaginem o que fazem com o restante que não vem a tona(devido a omissão e não fiscalização de quem deveria zelar pela coisa pública). a cidade vive no ostracismo social /politico/educacional/cultural/econômico /histórico.E o que ouvimos nos discursos dos eleitos é que vão dar continuidade ao que o outro vinha fazendo ,ou seja…… da inercia ao circulo vicioso.

  2. Eita final de ano tumultuado .Onde estão as respostas ao povo que elegeu por 2 mandatos o nobre amigo Kiko e agora elegeu junto com ele Gabriel Maranhão.Eu nunca escondi que sou chato neste sentido e vou atrás de respostas.

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